Planejamento logístico eficiente. Você sabe como realizar?

No post de hoje, vamos abordar o planejamento logístico de seu negócio. Esta análise prosseguirá no post seguinte e serão ambos baseados na experiência de Alessandro Micelli, sócio-fundador da Orquestra Grupo, consultoria especializada em gestão empresarial.

Planejamento logístico - estoque

Contudo, repare que antes de abordarmos diretamente o planejamento logístico, o que será feito no post seguinte; precisaremos focar em questões mais ligadas à estratégia e gestão, como base para essa discussão.

Planejamento: sustentação, estratégia e construção de modelo

Vejamos então. O fato é que esse planejamento logístico é importante sob três prismas/cenários: de sustentação do negócio, da estratégia do negócio e de construção do modelo de negócio.

Para ilustrá-los, vamos usar o exemplo de Deusmar Queiroz, com seu empreendimento Pague Menos. A empresa partiu de Fortaleza, Ceará, foi para o Rio Grande do Norte, ocupou o Nordeste e depois seguiu para o Sul e se espalhou pelo Brasil.

Para concretizar toda essa estratégia ousada, o empresário precisaria entender o seu modelo de negócio e conhecer bem o que leva à sustentação desse negócio. Sem falar na cultura da organização, em primeira instância. Conhecer bem os valores e fazer com que as pessoas os sigam é fundamental para se alcançar a estratégia almejada.

Um outro pilar extremamente importante é a estratégia propriamente dita. Traçar uma estratégia de médio e longo prazo é fundamental para se garantir o sucesso sustentável de um negócio. Olhar até mesmo para o curto prazo, dependendo do cenário atual, se faz fundamental.

O discurso de vários executivos que dizem que hoje, diante da força do cenário econômico, não se faz importante traçar uma estratégia, e até não haveria nem como se traçar uma estratégia, é falso. O que se deve fazer é traçar essa estratégia e determinar o que será vital para seu planejamento logístico; porém quando necessário adaptá-la para a realidade, de acordo com o cenário econômico.

Planejamento logístico - farmácia pague menos

O terceiro grande pilar de sustentação de um negócio é a inovação. A inovação virou um mantra, virou uma palavra de ordem para grandes empresas, porque permite que grandes ganhos sejam conseguidos de uma forma rápida.

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Fazer com que esses três pilares trabalhem de forma alinhada é fundamental para o sucesso de um negócio.

Compreenda ainda que a cultura foca no curto prazo; estratégia, no médio e longo prazo; e a inovação, na diferenciação. Saber trabalhar bem esses três elementos com focos distintos é mais que necessário.

Pessoas, processos e gestão

Mas isso ainda não é o suficiente. Vejamos outros três elementos que se encaixam nessa engrenagem em prol do nosso planejamento logístico.

O primeiro é o foco nas pessoas, elas são tudo numa organização. Assim, cultivá-las bem, capacitá-las e prover a competência é sinônimo de entrega de valor ao cliente. Então não dá para se falar em alcançar uma estratégia, cumprir uma missão, buscar inovação, sem trabalhar fortemente as pessoas e fazer com que elas realmente compreendam seu papel dentro da organização.

Planejamento logístico - meeting

O segundo ponto são os processos, também fundamentais. Porque sem eles não há disciplina de execução. O livro “Execução”, de Ram Charam, fala exatamente sobre isso: há empresas que acabaram quebrando justamente porque não conseguiram executar bem as suas atividades, não conseguiram entender bem o que era importante na entrega para o cliente, e tiveram descolamento entre aquilo que almejavam e o que elas praticaram.

Então o processo é fundamental e segue a mesma lógica das pessoas; não dá para se pensar numa cultura de resultado, numa estratégia de médio e longo prazo, sem processo.

E o terceiro elemento, importantíssimo como os outros, é a gestão. A palavra é curta e simples, porém o impacto é gigantesco. Sem gestão não dá para trabalhar e nem pensar em absolutamente nada. Não dá para se melhorar processo, prover competências,  pensar numa missão e numa cultura engajadora, criar uma estratégia vencedora e muito menos se pensar numa cultura de inovação que seja permanente, que seja perene na organização.

Esses três pilares, associados aos outros três elementos, são o que leva ao sucesso da organização.

Seguramente a Pague Menos soube entender muito bem tudo aquilo que era importante para o negócio dela, e assim conseguiu pensar nesse crescimento retratado por Deusmar Queiroz.

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Estratégia: formular, planejar, alinhar, executar e monitorar

Saindo um pouco do cenário de sustentação, vamos ao vértice da estratégia. Entenda o quanto é importante seguir alguns passos na construção e gestão de uma boa estratégia.

O primeiro passo é a formulação, ponto fundamental que passa por entender os cenários internos e externos. Precisamos entender as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças; e precisamos construir um modelo de negócio. Tal modelo precisa tomar por base todos os aspectos importantes para a sua execução.

O passo seguinte à formulação é o planejamento. Muitas pessoas confundem planejamento com formulação. Planejamento é traçar objetivos, metas, indicadores, iniciativas. Diferentemente da formulação, que é o ponto de partida.

Para que se possa planejar bem, faz-se necessário entender aonde se quer chegar, o que se quer alcançar, ter um alinhamento muito forte com a visão da organização. Após esse planejamento, o alinhamento da organização se da com a estratégia. O que significa que para comunicar bem essa estratégia, todos precisam compreendê-la. Todos precisam se engajar na estratégia, desdobrá-la. Será que as estratégias departamentais estão alinhadas à estratégia da organização? Esse desdobramento se faz necessário.

planejamento logístico - estratégia

Assim, outro ponto importantíssimo é o alinhamento da organização. Será que se faz necessário criar uma área nova? Ou desfazer uma área existente?  É preciso checar ainda o provimento de competências. As competências necessárias para o alcance da estratégia estão bem estabelecidas? O que precisa ser feito? O que precisa ser melhorado em termos de competência? Então esse ponto de fato se faz necessário: o alinhamento da organização com a estratégia.

Assim, cabe alinhar as operações com as estratégias, ou seja, definir, aprimorar e gerenciar processos críticos que, em muitos casos, nem são conhecidos. Gerenciar as iniciativas estratégicas referentes aos projetos da organização também é vital. Isso passa por definir e implementar indicadores operacionais que irão alinhar os planos estratégicos e operacionais.

O passo seguinte se dá em torno da execução. Ela é o ponto mais nevrálgico de todo o modelo da gestão da estratégia. É importante destacar que mais de 90% das empresas falham na execução da estratégia. Isso porque não conseguem iniciar o ciclo da forma correta: não conseguem estabelecer mecanismos de gestão, de governança da estratégia e acabam falhando em um ou outro, ou em vários pontos deste modelo.

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Mas há um momento em que temos que monitorar a estratégia. Tipicamente o mercado conduz a questão por meio de reuniões de análise  estratégica. Por meio disso, verificamos o quanto a estratégia está sendo alcançada, o quanto ela está sendo cumprida e o quanto ela está sendo fiscalizada – ou seja, estamos indo para um caminho, a organização está indo para outro, o mercado está dizendo uma outra coisa. Nesse momento do monitoramento é importante se assegurar que se compreendem todos esses elementos e resultados que acontecem nas apurações.

E por último há o aprendizado, particularmente da estratégia. Ele pode ser baseado em um evento externo à empresa. Por exemplo, para uma empresa de aviação, a mudança de preço no barril do petróleo pode ser motivo da revisão na estratégia, de aprendizado e de adaptação dessa estratégia.

Revisando a estratégia e o planejamento logístico

Deste modo, todo esse ciclo ou modelo da estratégia voltada ao planejamento logístico é iniciado pela boa formulação, seguimos no planejamento, prosseguimos no alinhamento da organização à estratégia, alinhamos as operações da estratégia, executa-se aquilo que foi planejado, monitoram-se os resultados daquilo que foi planejado e por fim, revisamos, adaptamos, e se necessário, mudamos substancialmente.

Note que o plano operacional é oriundo do alinhamento organizacional com as operações e seus resultados. Tudo isso irá alimentar as reuniões de análise da estratégia, ou seja, o monitoramento. Repare ainda que é importante haver o alinhamento entre o plano operacional e o plano estratégico e juntos com o plano de execução.

Por hoje é isso. Devidamente munidos destes conceitos essenciais  de gestão e estratégia, no próximo post estudaremos mais especificamente os tópicos de planejamento logístico, como disponibilidade, preços e relacionamento.

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Postado em Estratégia, Operacional