Educação empreendedora: o que é e qual sua importância

No post de hoje, iremos falar um pouco mais sobre a educação empreendedora. Boa leitura!

É provável que o primeiro nome que venha à cabeça quando pensamos em empreendedorismo no setor da educação seja o de Carlos Wizard, responsável pela fundação da escola de idiomas Wizard, do atual Grupo Multi.

A riqueza de Carlos Wizard não veio de berço. A única herança do empresário são as experiências de vida. Aprendeu a falar inglês na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida como igreja mórmon, e dessa oportunidade criou a maior rede de escola de idiomas do Brasil.

Anteriores a ele, no entanto, há dois outros nomes importantíssimos do setor da educação que vale a pena destacar: o brasileiro Paulo Freire e o suíço Jean Piaget. Criador do Método Freire de Educação, o primeiro defendia uma metodologia na qual o ensino é construído em função da realidade de cada um. Já Piaget é o fundador dos princípios construtivistas, no qual o conhecimento é a ativamente construído pelo sujeito e não passivamente recebido do professor.

De um lado, para Paulo Freire, aquele que ensina aprende ao ensinar e aquele que aprende ensina ao aprender. De outro, na concepção de Jean Piaget, as crianças não devem ser miniaturas dos adultos, já que são donas de interpretações singulares e, também, capazes de fazer suas próprias conexões.

Piaget defende que é necessário dar a elas estímulos e ajudá-la a criar hábitos. Apesar das diferentes concepções, percebe-se que, de certa forma, a teoria de Paulo Freire e a de Piaget têm um ponto em comum: segundo ambos, é preciso criar possibilidades para o aluno.

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Empresario – Educação empreendedora

Incentivo cognitivo e incentivo afetivo

Qual a sua reação ao observar uma criança dando seus primeiros passos? O que você diz para essa criança quando ela vem na sua direção, tentando caminhar, engatinhando, meio torto, caindo, sem muito jeito? Dizemos “Isso. Vai lá. Continua!”. Mas o que isso significa? Estamos, na verdade, incentivando-a a realizar a tarefa. Não a ensinamos a andar, mas damos a possibilidade para que ela aprenda sozinha.

O incentivo é, portanto, a etapa mais construtiva do aprendizado. Dizer para a criança continuar tentando é o mesmo que dizer para nossos filhos acreditarem mais em si. Frases de incentivo ecoam na cabeça e dão segurança para enfrentar o medo. Foi essa a frase que Carlos Wizard mais ouviu da esposa e dos familiares.

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Há outras duas categorias de incentivo que é preciso mencionar: o incentivo cognitivo e o incentivo afetivo. O cognitivo corresponde ao incentivo para que sejam desenvolvidas competências, habilidades, gostos e interesses. Trata-se de uma espécie de incentivo ao talento e vocação. O incentivo cognitivo é sempre relacionado ao desenvolvimento intelectual e àquilo que o indivíduo é ensinado para que futuramente se torne um profissional ou um empreendedor.

Por sua vez, o incentivo afetivo tem relação com valores pessoais, que afetam decisões ao longo da vida. Alguns pais acreditam, por exemplo, que dar muitas tarefas aos filhos e colocá-los para aprender inglês, chinês, futebol e judô é uma boa estratégia. Talvez não seja, já que, nesse caso, os pais estariam oferecendo aos filhos apenas os incentivos cognitivos. Muitos pais esquecem-se dos incentivos afetivos, que significa desenvolver tarefas em parceria e aprender em conjunto.

Os domínios afetivo e cognitivo são coisas diferentes, mas ambos fundamentais para a educação de qualquer ser humano. Segundo a UNESCO, a juventude corresponde à faixa dos 16 anos aos 29 anos. Esse período é marcado por grandes questões internas e externas.

Questões internas envolvem as inquietações, os medos, as decisões e as dúvidas. Questões externas incluem a escolha da profissão, por exemplo. Ainda que, nos dias atuais, seja muito comum formar profissionais com carreiras múltiplas – ou seja, há a possibilidade de se ter várias carreiras – a escolha do futuro profissional ainda é um tema angustiante para os jovens.

Continua sendo aos 16 ou 29 anos que escolhemos nossos primeiros empregos. Decisões como essas, geralmente, são balizadas pelos incentivos afetivos. Parece que Carlos Wizard tinha uma grande lembrança da infância: comer polenta frita na chapa e tomar café com leite. Essa é uma lembrança que remonta à sua infância; ou seja, aos sentidos afetivos. Lembranças como essas certamente deram a ele alguma espécie de fundamento para várias decisões que tomou ao longo da vida.

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educação empreendedora – Ensino

A importância dos incentivos cognitivos

Há outro aspecto muito relevante na história do Carlos Wizard relacionado ao incentivo cognitivo: a experiência prática que o levou a fundar sua rede de escolas de idioma.

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Com o pai, ele aprendeu a dinâmica das vendas e teve aulas com missionários norte-americanos. Foi a partir dessa vivência, que ele aprendeu a gostar de idiomas. Em seguida, sua primeira viagem internacional aos 17 anos, quando realizou trabalhos voluntários em Portugal, foi mais uma experiência real que daria sustentação para o grande projeto que viria a ser a fundação do Wizard.

Mas crescer requer enfrentar desafios. Carlos Wizard, ainda muito jovem, foi demitido da loja onde trabalhava. Ainda que tivesse o desejo de abrir uma escola de idiomas, a decisão final ocorreu durante uma viagem na BR 116 de São Paulo a Curitiba. Experiências práticas não lhe faltavam. Assim como o tão mencionado networking.

Como professor de língua portuguesa para executivos nos Estados Unidos, eram muitas as redes de boas amizades. Conta-se que Carlos Wizard tornava-se amigo de pessoas em outras cidades para, em seguida, oferecer-lhe a franquia da escola. A junção, portanto, de experiência prática e bons relacionamentos foram fazendo do Wizard um sucesso no mercado de franquias.

Há quem tenha dois talentos, mas não consiga uni-los. Carlos Wizard, ao contrário, vive 24 horas como professor-empreendedor. Um dos aspectos mais interessantes de Carlos Wizard é que, até hoje, quando viaja e preenche a ficha do hotel, coloca professor como profissão. Estamos falando, na verdade, de duas vocações: professor e empreendedor. Na rede Wizard, nem todo professor virou empreendedor, e nem todo empreendedor era professor. Não existem regras.

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educação empreendedora – Parcerias

A importância dos incentivos para a educação empreendedora

Clínico de orientação vocacional, Rodolfo Bohoslavsky defende que uma escolha madura depende da elaboração dos conflitos e não da sua negação. Mas o que isso significa? Simplesmente que dúvidas e angústias devem ser enfrentadas. Uma vez que aprendemos a lidar com esses medos, teremos capacidade de fazer escolhas maduras, as quais dão prioridade à identificação de gostos, interesses e aspirações.

Por isso, a tão grande importância do autoconhecimento, que nos permite olhar para nossas dúvidas e aspirações. Afinal, é isso o que vai dar base para boas decisões. Incentivo afetivo, incentivo cognitivo, cabeça e coração ou head and heart, experiências práticas e network são elementos fundamentais dos aprendizados de Paulo Freire, Piaget e Carlos Wizard.

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Foi na convivência com os missionários mórmons norte-americanos que Carlos Wizard percebeu que ele precisava aprender inglês. Com sua disciplina, foi possível traçar objetivos. Outro incentivo poderosíssimo foi o de almejar salários maiores, que queria uma carreira executiva internacional. Percebeu que o salário de empregado não contemplaria as suas ambições.

A experiência prática, os bons relacionamentos profissionais e a influência da família foram os ingredientes para Carlos Wizard prosperar. Ele chamaria isso de revelação divina, mas, na verdade, são incentivos que surgiram ao longo da vida adulta. “O sucesso acontece quando a preparação encontra uma oportunidade”, dizia Wizard.

A preparação acadêmica, portanto, é tão importante quanto a sua preparação independente para os negócios. Não é apenas uma questão de dizer “faça uma universidade”, “faça isso” ou “faça aquilo”. Prepare-se, simplesmente. É preciso estar preparado para qualquer que seja o propósito de vida. A vida de Wizard, por exemplo, foi, frequentemente, dedicada a experiências e bons relacionamentos. Como diria Steve Jobs, ao conectar pontos, os sonhos vão se realizando.

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Educação empreendedora

Em geral, a educação empreendedora dissemina práticas que inspiram nos alunos a vontade de empreender. Por isso, é tão importante diferenciarmos proficiência de interesse. Por onde seus interesses transitam? Quais são seus interesses?

Precisamos entender que interesse é diferente de proficiência. De um lado, a proficiência envolve mestria, domínio e capacidade em determinado assunto. De outro, o interesse tem mais relação com prazer e bem-estar.

Na educação empreendedora, orienta-se o aluno para aprender a desenvolver as qualidades e habilidades necessárias ao empreendedor, como a capacidade de enxergar oportunidades, a proatividade e a confiança, a fim de que ele funde negócios relacionados aos seus temas de interesse.

No caso de Carlos Wizard, além do interesse no idioma, ele procurou capacitação para dar aulas e criou o Método de Inglês 24 e 48 horas. Não basta ser interessado em determinados assuntos.

Proficiência e interesse são aspectos distintos, embora pertençam a mesma moeda. A proficiência é algo muito mais profundo do que meramente um interesse: ela exige dedicação, pesquisa e entrega.

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Postado em Empreendedorismo