Fluxo de caixa – A matemática ao seu favor

Na última postagem, fizemos uma introdução sobre como funciona a entrada e saída de capital em uma empresa, o chamado “fluxo de caixa”.

Hoje, vamos continuar esse assunto, explicando com exemplos porque algumas empresas enfrentam fortes crises financeiras ou acabam fechando as portas, mesmo estando em pleno crescimento.

Quando a situação aperta

Em outras palavras, uma das principais razões para o fechamento de um negócio, é a chamada popularmente de “falta de grana”, um problema enfrentado frequentemente por diversos empresários, que não fazem corretamente o seu DRE (Demonstração de Resultados do Exercício), que foi citado no artigo anterior.

Essa questão atinge todos os tipos de empresas e ramos, sejam elas grandes ou pequenas, estejam elas em alta ou não. Quem já viveu a situação, diz que é uma coisa radical, de tirar o sono de qualquer um.

A empresa está ali no topo, saudável, finalmente alcançou a tão sonhada estabilidade, até que de repente, tudo desmorona. Demissões, falta de pagamento, processos trabalhistas. Tudo isso parece não fazer sentido.

Festive-FridaysO que acontece nos bastidores é que determina quanto tempo de vida ainda resta a um negócio.

Muitas pessoas se perguntam como é possível que a empresa feche estando em alta no mercado.

Para te ajudar a entender isso, podemos pensar da seguinte forma: Quanto mais crescimento, mais despesas, certo?

O que pode ser pior do que não vender meu produto?

Digamos que você pode se tornar seu próprio pior inimigo, caso não se planeje ou não acompanhe os resultados da sua empresa.

Para quem não pensa no futuro o preço é alto, e às vezes, mesmo pensando, alguns ainda passam necessidades.

Os problemas entre fluxo de caixa e capital de giro são frequentemente confundidos.

Selecionamos alguns dados para enriquecer o assunto:

A pesquisa sobre fluxo de caixa

Uma pesquisa foi divulgada pelo SEBRAE há 2 anos, onde foram entrevistados vários empresários cujas companhias foram fechadas por dificuldades financeiras. O objetivo era entender quais foram os principais motivos para a tal da crise que os levou a abandonar o navio.

Para começar, muitos dos entrevistados nem ao menos sabiam as causas de sua própria ruína, isto é, foram nocauteados sem chance de verem de onde veio o golpe.

Alguns dos resultados apresentados pela pesquisa foram:

  • 29% das empresas fechadas justificaram o fracasso como “falta de clientes”. Em algum momento, se viram em um mercado no qual não tinha mais gente querendo comprar seu produto. Assim, as pessoas foram perdendo o interesse e o produto se desvalorizou.

 

  • 21% quebraram por falta de capital de giro: faltou dinheiro para injetar no negócio e eles ficaram desatualizados em relação à concorrência, ou faltou mão de obra para atender a demanda, e por aí vai.
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  • 11% alegaram falta de planejamento ou má administração. (Se analisarmos, 11% representam muito pouco em relação a administradores ruins ou inexperientes). Aqui, podemos dizer que esse número faz menção àqueles que assumiram realmente não ter conduzido corretamente os rumos do negócio. Não projetaram o futuro econômico da empresa e foram obrigados a fechar.

 

  • Um outro grande número, alegou ser culpa do governo, dos impostos, dos funcionários, entre outros fatores negativos que fazem parte do comando de qualquer empreendimento.

Definições

O capital de giro é o dinheiro disponível para fazer um negócio “rodar”, ou seja, o dinheiro que uma organização dispõe para constante investimento.

Esse investimento ocorre o tempo todo, não precisa ser grande, e pode ser utilizado em marketing, no setor operacional e no atendimento ao cliente. Enfim, é qualquer coisa que tenha por objetivo aumentar a produção e a lucratividade.

Importante salientar aqui, que o uso do capital de giro visa o lucro (não necessariamente irá tê-lo), mas espera-se um retorno do que foi aplicado anteriormente.

A grande maioria das pessoas, quando ouve falar no termo “fluxo de caixa”, pensa automaticamente em “lucro”. Esse tipo de ideia pode ser muito perigoso se trouxermos o conceito para a gestão empresarial.

A palavra fluxo, quer dizer “movimentação”, ou seja, é uma via de mão dupla, algo entra e algo sai. Nesse caso, o dinheiro. Por isso é fácil confundir os dois: um visa o lucro, o outro contém o lucro, utilizando os números como base de planejamento.

O outro lado da moeda

coins-wallpaper-44244-45359-hd-wallpapersÉ verdade que a concorrência desleal existe até hoje: empresários que subfaturam os serviços e produtos para ganhar clientela, ou ainda que possuam mão de obra sem registro para pagarem menos imposto sobre seus trabalhadores. Mesmo assim, muitas pessoas se perderam na administração e não souberam nomear nenhum fator que possa ter ocasionado o seu fim.

O curioso, é que na última década o Brasil viveu um forte crescimento. Quem trabalhava em casa resolveu alugar um conjunto comercial. Quem já trabalhava em um, foi contratando mais funcionários e precisou se expandir ainda mais, procurando lugares maiores ou mesmo um segundo espaço para atender à crescente demanda de um país em ascensão de mercado.

Compraram mais máquinas, investiram em marketing, dobraram a produção e aceleraram as vendas.

Nunca fomos um país de grande crescimento como China ou Índia, cujas porcentagens indicaram crescimento de 9% e 11% ao ano alguns anos atrás.  Tivemos um crescimento médio de 3 a 4% durante algum tempo, o qual foi suficiente para aumentar a quantidade de empregos.

Os índices apontam 5 a 5,5% das pessoas economicamente ativas como desempregadas em um período anterior.

Em um raciocínio lógico, o crescimento da economia anda lado a lado com o aquecimento do mercado, que por sua vez, significa crescimento das empresas.  Se as empresas cresceram em uma média, o PIB brasileiro também subiu. Sendo assim, como é possível que parte delas feche por falta de dinheiro?

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Você se pergunta: “Será que não estão mais vendendo? ”.

E a resposta é: Na verdade, elas podem estar vendendo normalmente, e às vezes, vendem até mais.

“E como vender poderia fazê-las fecharem por falta de capital de giro? ”

Vamos entender dessa forma: Uma determinada companhia compra um produto (essa mercadoria pode estar pronta, em produção ou pode ser uma matéria-prima, por exemplo).

Depois de comprar esse produto, existe um intervalo de tempo entre o estoque e a venda. Quando a empresa realiza uma venda, ela ainda tem que dar para seus clientes, condições e prazos para pagamento.

Na hora de oferecer vantagens para seus clientes e bater as vendas do concorrente, um determinado negócio pode correr sérios riscos, caso seus gestores não se atentem a alguns detalhes.

Se você der a um cliente a vantagem de pagar pelo produto que comprou de você em 3x no cartão ou no boleto, estamos falando de 90 dias para que você receba pela venda.

Até aqui, tudo bem, isso faz parte do processo corporativo.

O problema é quando o prazo que você tem para pagar seus fornecedores é menor do que o prazo que seus clientes têm para pagar pela compra dos seus produtos.

Se isso acontecer, você terá que ter uma reserva do seu capital de giro para pagar seus fornecedores quando as contas chegarem.

Suponhamos que você tenha 60 dias para pagar pelas suas compras. Se você comprar um produto e demorar 30 dias para vendê-lo, o seu prazo de recebimento que antes era de 90, agora passa a ser de 120 dias para os mesmos 60 dias de prazo de pagamento pelas suas compras.

“Quem está bancando esse desencaixe financeiro? ”

“Está faltando capital de giro em quanto, 60, 90 dias? ”

Quem compra produto importado, tem que pagar antes, porque as taxas são cobradas para trazer a mercadoria e serem liberadas no porto, por exemplo. Até chegarem à loja ou distribuidor, e começarem a vender, pode se levar por exemplo, uns 3 a 5 meses para você ter o retorno daquele produto que já está pago há tanto tempo.

E as contas não param, você continua comprando outras mercadorias, o dólar explode, tudo ao mesmo tempo.

Vale lembrar…

Não podemos esquecer que ainda existe uma coisa bem desagradável chamada de “inadimplência”.

Existem aqueles clientes que não estão bem financeiramente falando e também aqueles que não tem por hábito ler publicações sobre economia empresarial.

Os primeiros são os que provavelmente irão lhe pedir os maiores prazos, as maiores condições e vão estender o pagamento o máximo possível. Talvez nem lhe paguem: triste, mas verdadeiro.

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Business is business” ou então, “ossos do ofício”, enfim, não é à toa que a expressão ganhou versão em diferentes idiomas. Quer dizer que as dificuldades financeiras dos negócios sempre existiram e sempre existirão, em todas as partes do mundo e ramos de atuação.

A proporção de redução do seu capital de giro vai depender do prazo dado aos clientes, do valor que eles irão pagar a você, do quanto você irá pagar em contas e do prazo que você tem para pagar essas contas.

O que acontece com frequência, é que o descasamento de prazos no fluxo de caixa das empresas gera uma necessidade por mais dinheiro em menos tempo.

Na hora do desespero

As empresas acabam buscando investimento para se manterem firmes em meio a esse descompasso. Esse dinheiro pode vir através de investidores, do bolso do dono da corporação ou da fonte mais comum e requisitada que existe, o banco.

Você procura o banco uma, duas, e na terceira vez ele te diz: “Não dá mais, já chega! ”.

Diz para você que não tem mais dinheiro no momento para colocar à sua disposição. Foi aí que as empresas foram quebrando, mesmo em crescimento.

O que muitos dos empresários não entenderam, foi que mesmo tendo contratado novos funcionários, aumentado as vendas, pago os melhores salários e ainda pago todos os impostos, o DRE acusava resultado negativo no fluxo de caixa. E só isso já basta para fechar uma empresa.

Quando não existe controle semanal ou até diário dos valores que entram ou saem do caixa de uma empresa, o resultado pode ser 2 dias no início, 5 no meio e mais 5 dias sem dinheiro no final do mês, e é exatamente aí que mora o perigo.

Essas “pequenas” lacunas podem ocasionar um buraco enorme nos fundos de pagamento das contas da empresa. O bom planejamento, traz uma previsão do mercado futuro.

Além de manter o negócio sempre atualizado, ajuda a crescer, não simplesmente “enfrentar” uma possível crise. Uma organização deve viver o mercado, e não sobreviver a ele.

Aprender com os erros pode ser um luxo que poucos terão a oportunidade de experimentar. Grande parte de quem passa por isso, acaba pagando as contas por mais tempo do que levou para ter sucesso no próprio negócio.

Administrar uma atividade nunca foi fácil, utilizando essas dicas e informações, fica mais fácil enxergarmos o que poderemos enfrentar e contornarmos a situação.

Agora pegue o lápis, papel ou o notebook e boas contas!

E faça o seu fluxo de caixa!
E faça o seu fluxo de caixa!

E aí, o que achou do nosso tema de hoje? Queremos sua opinião!

Na próxima publicação falaremos sobre o chamado ponto de equilíbrio das empresas, o que isso quer dizer e como afeta seus destinos no mercado. Não perca!

 

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