Tudo sobre o empreendedorismo digital no Brasil – Parte 1

Começamos hoje uma série de dois posts sobre o cenário do empreendedorismo digital brasileiro e as vantagens e desafios para quem quer empreender na internet.

Por que alguém montaria uma startup no Brasil hoje?

O nosso mercado pode não ser o mais fácil, desenvolvido e sofisticado do mundo, mas é muito grande. O Brasil tem uma população de 200 milhões de pessoas, e mais de 50% delas têm acesso à internet.

Isso nos transforma em um dos mercados mais atraentes do mundo, com grande potencial de crescimento. Para se ter uma ideia desta dimensão, o mercado brasileiro é do tamanho de todos os mercados dos outros países da América do Sul combinados.

empreendedorismo digital

Uma breve história do empreendedorismo digital

Para começar a análise, é preciso falar sobre as primeiras startups online do Brasil, que surgiram nos anos 90. Entre elas estão o Zick e o Cadê, posteriormente vendidas para o Star Mídia e depois para o Yahoo, e o UOL, hoje o maior portal do Brasil. Também há a Aquam, empresa de tecnologia de buscadores fundada em Belo Horizonte e que foi a primeira aquisição do Google no Brasil.

No ano 2000 ocorreu o estouro da bolha da internet e os investimentos para empresas online sumiram. Entre 2000 e 2007 houve um hiato no empreendedorismo digital no país, onde pouca coisa relevante aconteceu.

Foi a crise econômica de 2008 que permitiu o renascimento das startups digitais nacionais. Várias empresas quebraram no mundo todo, em especial nos Estados Unidos, mas o Brasil passou quase ileso por esta crise. É desta época a capa do jornal The Economist com a manchete “Brazil Takes Off”.

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Esta capa ajudou a colocar o Brasil de volta sob os holofotes, e assim começamos a atrair novamente o investidor internacional. A inspiração brasileira para o renascimento do empreendedorismo digital veio com o sucesso do Buscapé, empresa fundada no final dos anos 90 e que em 2009 foi vendida para o grupo Naspers por mais de 300 milhões de dólares.

A partir de então nasceu uma nova geração de empresas de internet que começaram a oferecer novos produtos e serviços para o consumidor brasileiro. Entre as empresas que seguiram os passos do Buscapé e são grande sucesso no mercado brasileiro estão a Movile, a Samba Tech e o Scoop.

Entre 2009 e 2012, com esse bom humor no mercado de investimentos, começou uma nova “corrida do ouro” na área de empreendimentos digitais. Vários negócios que eram extremamente populares nos Estados Unidos começaram a ser clonados e lançados com adaptações no mercado brasileiro. Como exemplos temos:

  • Dafiti: a maior loja de calçados do mercado brasileiro foi inspirada no modelo da Amazon Bazarpos, o Brends Club, um clube de compras relâmpago que inclusive veio a quebrar.
  • Peixe Urbano: uma das startups mais emblemáticas e case importantíssimo, trouxe um modelo internacional para o Brasil e viu rápido crescimento. Com a crise do mercado das compras coletivas, a empresa enfrentou alguns desafios, mas se restabeleceu e em 2014 foi vendida para o Badoo, que é o Google da China.

Após este “ataque dos clones” e de toda a euforia e excitação do investidor internacional com o mercado nacional, houve uma desaceleração. Novamente o The Economist dedicou a capa ao Brasil, mas desta vez com a manchete pessimista “Has Brazil blown it?”

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O cenário atual

Mas, afinal, o Brasil estragou tudo?

Apesar da situação complicada do país, ainda há potencial para o Brasil ser uma grande potência em startups de internet. O mercado é gigantesco, e ainda há 100 milhões de pessoas no país que não estão conectadas. Se o Brasil tivesse a mesma proporção de internautas dos Estados Unidos hoje, haveria 170 milhões de usuários de internet no país.

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Isso significa que nos próximos anos dezenas de milhões de pessoas vão entrar na internet e começar a consumir. Mesmo com o cenário duvidoso, este é um dos melhores momentos da história para começar uma empresa de internet.

Inclusive, várias empresas estão se sobressaindo, crescendo e sendo referências desta geração pós 2008. Algumas destas empresas são o Nubank, que vale algumas centenas de milhões de reais, e o Hotel Urbano.

Em linhas gerais, falamos dos problemas, dos desafios, da oportunidade, mas há também vantagens intrínsecas do mercado brasileiro:

  • O brasileiro é conectado, assiste a algo enquanto mexe no Facebook, usa o Twitter e engaja em outras redes sociais. O brasileiro é o povo mais conectado do mundo: isto é fato.
  • O e-commerce está crescendo, embora não tão rápido quanto em 2009 e 2010, mas segue tendo cada vez mais compras e mais transações pela internet.

Nossa análise para por aqui. Na próxima semana falaremos mais sobre os desafios do empreendedor digital brasileiro, e daremos também algumas dicas para quem quer se aventurar nos negócios online.

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